Museus de ciência e a mediação entre ciência e sociedade

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Como atores não clássicos no sistema de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), os museus e centros de ciência têm uma posição privilegiada por conta de seu papel conciliador entre o público e a CT&I. Central na atividade cotidiana dos museus e centros de ciência é a mediação entre o público e as exposições e atividades oferecidas por essas organizações. Nesta edição de ‘JCOM América Latina’, representantes de sete museus de ciência ibero-americanos refletem sobre o papel dos mediadores em seus espaços e o tipo de formação fornecida a esses profissionais. A edição inclui, ainda, uma discussão sobre os desafios de mediadores de iniciativas itinerantes no Brasil e de voluntários científicos em um assentamento do primeiro milênio antes de Cristo na Espanha. Para arrematar a edição, trazemos uma iniciativa de divulgação das matemáticas em um bairro marginalizado no México e um ‘book review’ sobre o potencial educativo dos dioramas.

Recebido: 
em 25 de Setembro de 2020
Aceito: 
em 1 de Novembro de 2020
Publicado: 
em 6 de Novembro de 2020

Como atores não clássicos no sistema de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), os museus e centros de ciência têm uma posição privilegiada por conta de seu papel conciliador entre o público e a CT&I.

A região latino-americana tem um potencial grande no que se refere a seus museus e centros de ciência. No Guia de Centros e Museos de Ciência da América Latina e Caribe,1 publicado em 2015 pela Red de Popularización de América Latina y el Caribe (RedPOP), juntamente com o Museu da Vida e o Escritório Regional de Ciência da Unesco, identificam-se 470 organizações que têm demonstrado um papel importante na consolidação da cultura científica da região.

Central na atividade cotidiana dos museus e centros de ciência é a mediação entre o público e as exposições e atividades oferecidas por essas organizações. Estudos mostram que o papel do mediador pode ser decisivo para a experiência dos visitantes, podendo estimular e provocar conversas sobre temas de ciência e mais oportunidades de interações e reflexões. No entanto, os mediadores podem também simplesmente estragar a experiência dos visitantes, por exemplo, se não ouvirem adequadamente os anseios dos públicos e não mantiverem um efetivo diálogo.

Cada museu ou centro adota uma filosofia particular, bem como estratégias diferenciadas para a mediação e a capacitação dos mediadores — ou até mesmo opta por não incluir em sua dinâmica um profissional que realize a mediação entre o museu/centro e os públicos.

Nesse contexto diverso, o papel do profissional que realiza a mediação também altera de museu para museu. Até o próprio nome dado a esse profissional varia: guia, monitor, mediador, facilitador, educador, animador, explicador, anfitrião, para citar alguns. Vital nesse processo está também a formação que esses profissionais recebem em cada museu (o que nem sempre ocorre).

Se, por um lado, os museus vão se multiplicando em grande velocidade, por outro, ainda são pouco frequentes, especialmente na América Latina, espaços que permitam os distintos museus e centros compartilharem suas experiências em mediação (seja com ou sem a intermediação humana).

Justamente para preencher essa lacuna, os membros de Musa Iberoamericana: Red de Museos y Centros de ciencia, propuseram reunir nesta edição de JCOM América Latina as reflexões de sete museus de ciência ibero-americanos sobre o papel dos mediadores em seus espaços e o tipo de formação que fornecem a esses profissionais. São eles: Mundo Nuevo (Argentina), Museu da Vida (Brasil), Parque Explora, Maloka (Colômbia), CosmoCaixa (Espanha), Universum (México) e Espacio Ciencia (Uruguai). Além disso, um artigo discute o papel e os desafios de mediadores de quatro iniciativas itinerantes brasileiras. Outro artigo discute o voluntariado científico e cultural de Cortes de Navarra, na Espanha, onde há um assentamento do primeiro milênio antes de Cristo.

Musa Iberoamericana2 é uma rede apoiada pelo Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted) e tem como um de seus objetivos capacitar professionais em museus e centros de ciência que atuam na mediação entre ciência e sociedade, assim como pesquisadores de universidades envolvidos em estudos da relação museus-sociedade. Reúne 38 divulgadores da ciência e pesquisadores de 12 museus, universidades e instituições de pesquisa de sete países (Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai).

Nesta edição há, ainda, um artigo que discute os desafios de realizar atividades de divulgação da matemática em um bairro marginalizado de Cuernavaca (México) e um book review do livro Janelas para a natureza, uma coletânea de artigos que discutem o potencial educativo dos dioramas em museu.

Boa leitura!

Luisa Massarani

Editora de JCOM América Latina.

Autor

Luisa Massarani é Coordenadora do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e do Mestrado Acadêmico em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde — Casa de Oswaldo Cruz — Fiocruz. Coordena a Musa Iberoamericana: Red de Museos y Centros de ciencia, apoiada pelo Cyted. É coordenadora para América Latina de SciDev.Net (https://www.scidev.net/). Pesquisadora Produtividade 1C do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj. E-mail: luisa.massarani6@gmail.com.

Como citar

Massarani, L. (2020). ‘Museus de ciência e a mediação entre ciência e sociedade’. JCOM – América Latina 03 (02), E. https://doi.org/10.22323/3.03020501.

Notas