Controvérsias e divulgação científica

Resumo: 

Nesta edição de ‘JCOM América Latina’ concentramos nossos esforços em discutir controvérsias e divulgação científica, reunindo sete textos. São cinco artigos, um ensaio e uma resenha de livro provenientes de autores da Argentina, do Brasil, da Colômbia e do México. A edição conta com a participação de Martha Marandino, que integra o comitê editorial de ‘JCOM América Latina’ e é pesquisadora da Universidade de São Paulo, e Marina Ramalho e Silva, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz, além de Luisa Massarani, editora de ‘JCOM América Latina’.

Recebido: 
em 11 de Outubro de 2021
Aceito: 
em 21 de Outubro de 2021
Publicado: 
em 18 de Novembro de 2021

Nesta edição de JCOM América Latina concentramos nossos esforços em discutir controvérsias e divulgação científica, reunindo sete textos. São cinco artigos, um ensaio e uma resenha de livro provenientes de autores da Argentina, do Brasil, da Colômbia e do México. A edição conta com a participação de Martha Marandino, que integra o comitê editorial de JCOM América Latina e é pesquisadora da Universidade de São Paulo, e Marina Ramalho e Silva, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz, além de Luisa Massarani, editora de JCOM América Latina.

Iniciamos a edição com o artigo “Uma análise dos artigos acadêmicos latino-americanos sobre Divulgação científica e controvérsias”, em que Marcela Alvaro e colaboradoras trazem os resultados de um levantamento de natureza exploratória, com objetivo de identificar e analisar estudos que discutem divulgação científica e controvérsias no contexto da América Latina. A partir de uma busca em repositórios científicos online, foram coletados e analisados 105 artigos acadêmicos, publicados individualmente ou em colaboração por um total de 191 autores, entre os anos 2000 e 2020.

Em seguida, Luiz Alberto de Souza Filho e Débora de Aguiar Lage, em “Entre fake news e pós-verdade: as controvérsias sobre vacinas na literatura científica”, abordam as discussões em torno das vacinas no contexto da pandemia da Covid-19. Em particular, os autores investigam como a produção do conhecimento científico reconhece as controvérsias e as fake news sobre vacinas, por meio de uma revisão bibliográfica.

Ainda no contexto da pandemia, no artigo “Infodemia e desinformação sobre o “tratamento precoce da covid-19” no Twitter e no Facebook de Bolsonaro”, Aniele Avila Madacki traz a questão: pensando especificamente o contexto brasileiro, é possível considerar o presidente Jair Bolsonaro como um agente disseminador da infodemia e de desinformação? A autora analisa as postagens do perfil oficial de Jair Bolsonaro no Twitter e no Facebook referentes aos medicamentos incluídos no “kit covid”, bem como os dados de busca no Google Trends.

Já Facundo Rodriguez traz a discussão para o ambiente da astronomia, em “Comunicar la diversidad del quehacer astronómico a partir de las controversias”. O autor analisa três exemplos de controversias, visando discutir os debates que ocorrem no interior das comunidades astronômicas e nos diálogos delas com a sociedade.

Por sua vez, Naxhelli Ruiz Rivera e colaboradores focam na questão dos riscos, em “Usos y usuarios del Atlas de Riesgos de la Ciudad de México. Un acercamiento a través de la Consulta Pública Digital #CuéntameTuRiesgo”. Segundo os autores, os Atlas de Riscos são instrumentos controversos que, em sua concepção e seus usos, articulam visões opostas entre especialistas e não especialistas e — defendem — podem estimular a participação social. Em particular, os autores analisam a consulta pública #CuéntameTuRiesgo, realizada com objetivo de gerar informações sobre o uso e a receppção do Atlas de Riscos da Cidade do México.

Pensando em museus de ciências, Alba Patricia Macías-Nestor e Germán Vega-Flores escreveram o ensaio “Evaluación del aprendizaje en los museos y centros de ciencias ¿es posible desde la perspectiva de la neurociencia?”. Segundo os autores, a avaliação em museus e centros de ciência tem provocado controvérsias no que se refere a se é possível registrar por meio de alguma técnica o processo de construção pessoal que ocorre, discutindo em particular o caso da neurocência.

Para arrematar a edição, Manuel Franco-Avellaneda resenha o livro Controversy in Science Museums: Re-imagining Exhibition Spaces and Practice, escrito por Erminia Pedretti, Ana Maria Navas Iannini.

Boa leitura!

Autores

Luisa Massarani é Coordenadora do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e do Mestrado Acadêmico em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde — Casa de Oswaldo Cruz — Fiocruz. Coordena a Musa Iberoamericana: Red de Museos y Centros de ciencia, apoiada pelo Cyted. É coordenadora para América Latina de SciDev.Net (https://www.scidev.net/). Pesquisadora Produtividade 1C do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj. E-mail: luisa.massarani6@gmail.com.

Martha Marandino. Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Doutora em Educação e Livre Docente pela USP. Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Divulgação em Ciências (GEENF). Atua na pesquisa, ensino e extensão nos temas: educação em museus; divulgação científica e, ensino de ciências.
ORCID: 0000-0001-9175-012X. E-mail: marmaran@usp.br.

Marina Ramalho e Silva. Coordenadora do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica, do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz), doutora em Educação, Gestão e Difusão em Biociências pelo Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. ORCID: 0000-0002-2162-6673. E-mail: marina.ramalho@fiocruz.br.

Como citar

Massarani, L., Marandino, M. e Ramalho e Silva, M. (2021). ‘Controvérsias e divulgação científica’. JCOM – América Latina 04 (02), E. https://doi.org/10.22323/3.04020501.